BEDA 25 | Não se cale

25 de agosto de 2017

Oi gente linda tudo bem?
Me ausentei por uns dias no BEDA e não segui à risca as diquinhas de organização que disponibilizei aqui no blog.
A verdade é que eu me programei, mas os imprevistos impossibilitaram meus posts de estarem certinho pra vocês.
Chega de blá blá blá que o assunto hoje é sério!


Vou deixar claro que esse post não se refere à minha vida


Faço jornalismo e estou trabalhando na construção de uma matéria que fala sobre a violência doméstica. E pensando em algumas leitoras que passam ou vivenciam esse histórico em sua família, trago pra vocês o meu protesto pessoal #nãosecale

No Brasil (e no mundo) muitas mulheres sofrem em relacionamentos abusivos.
São proibidas de saírem de casa desacompanhadas, de ter amigas, de poder contar com a família, pois há uma grande possibilidade de que seja descoberto a sua real situação. Vivem em um cativeiro físico e emocional, e não é de se esperar que se houver descumprimento das regras, a agressão é inevitável, marcas que aparecem no corpo e na alma, há casos que chegam à óbito.

Não estamos ainda em novembro para se manifestar, mas a lei  11340 é vigente desde 2006, conhecida como Lei Maria da Penha, que coíbe a violência física ou psicológica.

Ameaças em palavras e em ações como quebrar um cabo de vassoura ao lado para assustar e resquícios atingirem a mulher, acertar ou quebra uma porta e dizer que da próxima seria assim no rosto dela, também é uma forma clara de agressão.

Art. 7o São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:
I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal;
II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;
III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;
IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;
V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.

NÃO SE CALE


Sei que muitas mantém o relacionamento porque no fundo há um sentimento de pena, por ter talvez boas lembranças do parceiro, ou as vezes por não terem condições de se manter, ficam com medo de viver na rua da amargura. Quer amargura maior do que passar constantemente essa humilhação?
Sua vida vale mais que isso! Se você não quiser, não adianta nada alguém fazer isso por você.
Vá a uma delegacia de mulheres e abra sua denúncia, se não puder, ligue 180.

E se não é seu caso ou de algum familiar, mas há indícios de que alguma vizinha sua sofre, #nãosecale , denuncie no 180, é sigiloso.

Oferecimento:


18 comentários:

  1. Penso que muitas acreditam que talvez o parceiro possa ''mudar'' , e a esperança de tudo que já passaram e que tudo um dia pode voltar a ser como antes as impeça de falar. Ou talvez, seja apenas medo, não somente do parceiro, mas da população, dos olhares de pena, da reação em si.

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    1. é muito triste essa situação, convivo com uma pessoa que falta força para agir, por isso me trouxe essa revolta em dizer #nãosecale

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  2. Acho isso muito triste. A irma da minha amiga esá vivendo um relacionamento abusivo, ontem a gente estava conversando, ela desabafando sobre a irma, deu um aperto no coração. Adorei quando vc disse sobre o medo de ficar na rua da amargura, já passou da hora da sociedade quebrar esse protocolo de que tem que ter alguem, tem que casar. Viver essa humilhação, que é quase uma prisão é realmente pior. Adorei o post, aidna mais que teve a legislação. Vou compartilhar.
    Bjs floooor

    http://cariocadointerior.com.br/index.php/2017/08/30/tag-united-blogs-beda30/

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    1. Obrigada minha linda! Vamos compartilhar sim. Precisamos ajudar essas mulheres, juntas somos mais fortes. Não ao relacionamento abusivo!

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  3. Oi, Klíssia.
    Antigamente também pensava que a culpa era da vítima de aceitar um relacionamento abusivo, na minha ignorância até falava que era porque a pessoa gostava, até que li um livro chamado Amor Amargo e finalmente entendi o que acontece nesses relacionamentos distorcidos onde a vítima se culpa e livra seu agressor.
    Posts como o seu são super importante.
    Beijo

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    1. Qual o nome do autor? Se puder me passe.
      E a real intenção do post é de fato ajudar a essas mulheres.]
      Super beijo <3

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  4. Me metendo no seu comentário anterior, Amor Amargo é da Jennifer Brown e é um livro incrível que fala justamente sobre isso, sobre o que acontece na cabeça de quem está dentro de um relacionamento abusivo. O problema não é necessariamente o fato de a vítima ficar calada, mas sim que o agressor simplesmente possui mil faces e demonstra isso como forma de arrependimento sempre. Não só quem está vivenciando isso precisa tomar uma atitude, mas quem está ao redor e sabe sobre isso precisa ajudar.

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    1. Obrigada pela dica!
      Eu fiz uma denúncia, e o policial que veio fazer ocorrência disse que se a vítima não quiser, não podemos fazer nada :( essa pessoa que estava sofrendo tem medo, e não quis ir à delegacia.
      Precisamos o máximo que a gente puder, mostrar pra elas o que a Lei pode fazer em favor delas.
      É triste isso né!

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  5. Realmente, há muitas mulheres que não assim por medo. Temos que encorajá-las! Elas podem tudo!

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  6. Esse tipo de texto vale muito a pena! Pq as mulheres precisam perder o medo, precisam entender que tem outras mulheres dispostas a ajudar e principalmente precisam entender o que é relacionamento abusivo.

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    1. E é uma situação complicada mesmo, porque precisam ter coração e alma fortes para saírem dessa.

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  7. Muito bom e esclarecedor seu post. Já conheci mulheres que sofreram amor abusivo e confesso que em algumas vezes as culpei pelas atitudes não do marido, mas sim delas de sofrer com isso. Na minha humilde ignorância quem apanha ou sofre agressões mais de uma vez era porque gostava. Hoje depois de me aprofundar nesse tema vi que as coisas não são bem assim, a gente fica pressa a algo surreal que muitas vezes não percebemos ou demoramos para perceber. Eu mesma já sofri amor abusivo dos meus pais, nunca apanhei nem nada do tipo mas depois de comprender o real significado de amor abusivo sei que passei por varios momentos.

    Temos que compartilhar varias e varias vezes esse post e fazer as pessoas enxergar o quando isso afeta a sociedade.


    Beijos de luz!

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    1. Afeta e muito!
      Aconteceu com essa pessoa em que eu tentei ajudar, a família acaba se envolvendo emocionalmente. E isso é o que mais dá forças pra gente denunciar.

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  8. Oi, tudo bem? Esse é um tema sempre atual e que merece ser abordado. É verdade que muitas mulheres continuam com os parceiros porque guardam lembranças, porque têm medo de não encontrar emprego e se sustentar, e o mais grave por medo mesmo. Quem presencia situações assim com certeza deve denunciar. Beijos, Érika =^.^=

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  9. Todo mundo precisa começar a entender que essas coisas acontecem e não, não é besteira! Nós mulheres não somos um sexo frágil, mas somos fragilizadas por causa dessa sociedade machista que vivemos! Adorei a reflexão Klíssia!

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